Viola da gamba 1991

 

                   

A Viola da Gamba, assim como toda a família das Gambas, foi a precursora do contrabaixo juntamente com a família dos violinos. Isso é fácil de se observar:
- Contrabaixos com fundo chato, com uma dobra na parte superior e sem pontas na faixa central vem da Gamba.
- Contrabaixos com fundo escavado e com pontas na faixa central são "descendentes" do violino e sua família.
Eu faço meus contrabaixos dentro do modelo italiano seguindo a linha da família do violino.

                      

Essa Viola das fotos foi encomendada por Eduardo Klein.
É uma Viola Baixo de 7 cordas renascentista e pode ser vista no circuito de música antiga em São Paulo.
O tampo desse instrumento foi feito utilizando o material que seria jogado fora na construção de um tampo de contrabaixo.
Antes de fazer o corte para o tampo do contrabaixo eu desenhei e desenvolvi um sistema de serrotes curvos.
Trabalhando com extremo cuidado durante uma semana, retirei as duas peças que seriam esse tampo de Gamba de dentro de uma peça de onde normalmente sairia apenas um tampo de contrabaixo.
Aproveitar ao máximo material tão nobre deve ser uma meta e um dever na vida de um lutier.
Uma vez que seria o primeiro instrumento de fundo plano que construia, pesquisei durante um tempo antes de iniciar o trabalho.
Vários detalhes foram levados em consideração para que se mantivesse fiel à época, mas aproveitando os benefícios das descobertas posteriores no campo da luteria.
Toda melhoria que o desenvolvimento da técnica da luteria trouxe desde a época das primeiras Gambas até hoje foi utilizada nessse insrtrumento.
O encastro do braço (encaixe do braço no corpo do instrumento) na época impreciso, frágil e feito com cravos de ferro batido foi feito como os instrumentos modernos: com precisão, resistência e apenas com um encaixe perfeito e cola.

A voluta é bem diferente dos instrumentos modernos.
Além de ter um desing totalmente novo, destaca-se o fato de ser vasada.
O modelo dessa viola foi desenhado por mim, baseado em fotos e textos sobre o assunto que pesquisei na época.
Esculpir essa voluta foi um prazer muito grande. Não só pelo desafio, mas também pela beleza do material e do modelo.

Outro detalhe bem diferente dos instrumentos modernos é o modo como o estandarte se fixa ao instrumento.
Na Gamba não há espigão (o pé regulável que existe nos contrabaixos e violoncelos) e nem rabicho (o cabo, normalmente de aço, que prende o estandarte ao espigão).

O estandarte é fixado por um encaixe de madeira encrustrada no instrumento como na foto acima.

Os intrumentos barrocos e renascentistas sempre tiveram muitos enfeites e filetes.
Essa viola foi filetada com o instrumento já fechado.

Para diferenciar esse instrumento de qualquer outro, coisa que sempre faço quando construo um modelo, fiz um detalhe que à primeira vista parece apenas decoração e acabamento para o fundo da viola.

Uma vez que o músico que encomendou o instrumento chamava-se Eduardo Klein, resolvi fazer um anagrama com suas iniciais no filete.
Queria dar um acabamento mais rebuscado no filete na região da noceta, mas para que o desenho continuasse simétrico fiz com que as iniciais E e K só fossem percebidas olhado o instrumento de lado.
Na foto acima se pode ver as letras EK saindo de dentro do desenho.

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